Um exame simples, mas cercado de dúvidas. Entenda o que ele avalia, quando repetir e como ele se encaixa no cuidado com a sua saúde.
📅 Publicado em: 26/08/2025
Por Dra. Larissa Vaz Perez | Médica Pós-graduada em Ginecologia com Residência em Medicina de Família e Comunidade
Muitas mulheres sabem que precisam fazer o preventivo, mas não têm muita certeza do que ele avalia exatamente ou de quanto em quanto tempo ele precisa ser repetido. E não é raro que essa dúvida venha acompanhada de um certo desconforto em perguntar.
Vale a pena entender melhor esse exame, porque ele é uma das principais formas de prevenção do câncer do colo do útero — e o Brasil está justamente vivendo um momento de atualização em como esse rastreamento é feito.
O preventivo, também chamado de Papanicolau ou colpocitologia, é a coleta de uma pequena amostra de células do colo do útero. Essa amostra é analisada em laboratório para identificar alterações que, se não acompanhadas, poderiam evoluir ao longo dos anos.
A função principal do exame é o rastreamento: encontrar alterações no colo do útero antes que elas causem sintomas. Na grande maioria dos casos, essas alterações têm origem em uma infecção persistente por HPV, e identificá-las cedo é o que torna o tratamento mais simples e eficaz.
Essa é uma dúvida frequente, e vale esclarecer: o Papanicolau tradicional observa as células do colo do útero em busca de alterações, mas não identifica diretamente o vírus HPV. Já o teste molecular de HPV, que o Brasil vem incorporando gradualmente como novo método de rastreamento, identifica a presença do vírus antes mesmo que ele cause qualquer alteração celular.
Isso significa que os dois exames se complementam: o teste de HPV tende a detectar o risco mais cedo, e quando o resultado indica presença do vírus, a citologia (Papanicolau) pode ser usada como próximo passo para avaliar se já existe alguma alteração nas células.
"Preventivo não é sinônimo de consulta ginecológica."
O Brasil está em um momento de transição entre dois métodos de rastreamento. Em muitas regiões, o Papanicolau tradicional ainda é o exame disponível, seguindo a recomendação de início aos 25 anos, com repetição anual nos dois primeiros exames e, se ambos vierem normais, intervalo de três em três anos até os 64 anos.
Em locais onde já está disponível o teste molecular de HPV, esse exame vem sendo adotado como método principal, com intervalo mais espaçado quando o resultado é negativo. Como essa transição ainda está em andamento e pode variar de acordo com a rede de saúde e a região, o mais seguro é confirmar com sua ginecologista qual método está disponível para você e qual intervalo se aplica ao seu caso.
Não necessariamente — e essa é uma confusão comum. A frequência do preventivo segue critérios próprios, que dependem do método de rastreamento disponível e dos resultados anteriores. Isso é diferente da frequência da consulta ginecológica, que costuma ser anual independentemente da época de repetir o exame.
Ou seja: mesmo em um ano que não seja o de repetir o preventivo, ainda faz sentido manter a consulta de rotina, até porque ela avalia muito mais do que esse único exame.
A coleta é rápida e, para a maioria das mulheres, causa apenas um desconforto leve, não dor. A médica utiliza um espéculo para visualizar o colo do útero e, com uma escovinha ou espátula específica, coleta uma pequena amostra de células. Todo o procedimento costuma durar poucos minutos.
É normal sentir um pouco de tensão antes do exame, especialmente se for a primeira vez. Conversar abertamente com sua médica sobre isso ajuda bastante — o ritmo da consulta pode ser ajustado para que você se sinta mais confortável.
De forma geral, recomenda-se evitar relações sexuais, duchas vaginais e uso de cremes vaginais nas 48 horas anteriores ao exame, além de, se possível, não agendar durante a menstruação. Cada caso pode ter particularidades, então vale confirmar essas orientações com quem for realizar sua coleta.
Não. Um resultado alterado é bem mais comum do que se imagina e, na grande maioria das vezes, está relacionado a alterações benignas ou lesões que ainda estão em estágio inicial. O resultado sempre precisa ser interpretado pela sua médica, que vai indicar se é preciso repetir o exame, investigar com outro método ou apenas manter o acompanhamento de rotina.
Receber essa notícia costuma gerar bastante ansiedade, o que é compreensível — mas vale lembrar que alteração não é sinônimo de diagnóstico fechado, e sim um sinal de que vale a pena investigar com calma.
Cada mulher tem uma história diferente, e o método e a frequência ideais de rastreamento dependem do seu caso específico.
Agendar consultaÉ comum pensar na consulta ginecológica apenas como o momento de repetir o preventivo, mas ela envolve muito mais do que isso. Dependendo do momento de vida de cada mulher, a consulta pode abordar o ciclo menstrual, métodos contraceptivos, sintomas ginecológicos, saúde sexual, a chegada da perimenopausa e da menopausa, além da indicação de outros exames de prevenção conforme idade, sintomas e histórico pessoal e familiar.
Por isso, mesmo fora da época do preventivo, manter o acompanhamento ginecológico de rotina continua sendo importante.
De preferência, não. O sangue pode interferir na leitura da amostra, por isso o exame costuma ser agendado fora do período menstrual.
Sim, o exame pode ser realizado durante a gravidez, geralmente no início do pré-natal, caso a gestante esteja dentro do período recomendado para o rastreamento.
Depende do histórico de exames anteriores. Em muitos casos, o rastreamento pode ser encerrado por volta dos 64 anos se os exames anteriores estiverem normais — mas isso deve ser confirmado individualmente com sua ginecologista.
Não. A maioria das infecções por HPV é eliminada pelo próprio organismo sem causar nenhuma alteração. O acompanhamento existe justamente para identificar os casos em que a infecção persiste e pode evoluir, permitindo agir antes disso acontecer.
Na consulta, é possível avaliar quais cuidados e exames fazem sentido para você, considerando sua idade, histórico e momento de vida. Atendimento presencial em Niterói – RJ.
Agendar consulta pelo WhatsAppPor Dra. Larissa Vaz Perez — Médica pós-graduada em Ginecologia, com Residência em Medicina de Família
Ministério da Saúde — Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero
Instituto Nacional de Câncer (INCA)
Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO)
Organização Mundial da Saúde (OMS)